SAMARRA HILLS

Conceptualize

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Exploremos


A beleza natural de uma paisagem tem a potencialidade de causar, por si só, em nós, humanos, uma experiência estética, uma sensação de prazer. Mas o interessante, creio, é entramos nessa mesma paisagem, conferir-lhe tridimensionalidade explorando-a e sentindo-a em proximidade.

Acho que nos falta, talvez cada vez mais, o contacto com o Meio, com aquilo que nos rodeia e ao qual pertencemos. Talvez nos limitemos demasiado a observar de forma fugaz e distante uma imagem, uma paisagem, sem sentir aquele ímpeto importantíssimo de avançar e conhecer aquilo que existe além do que observamos do nosso ponto de vista (seguro), sem sentir curiosidade. Esta é uma atitude algo irracional, que parece geral e transversal ao comportamento humano, essa aceitação do pouco, essa falta de vontade de conhecer (sentir) além do que se conhece (sente) previamente. Mas neste caso causa um afastamento entre nós, animais, e o planeta que habitamos.

Parece-me extremamente estimulante explorar o que me rodeia de forma aprofundada, embrenhar-me numa floresta ou descer uma escarpa íngreme para atingir alguma praia remota, experienciar o Cosmos de forma bastante activa e próxima. O facto de nos enchermos de sal ao mergulharmos no Atlântico, sentirmos os cheiros de um pinhal ou de nos ferirmos ligeiramente ao subir alguma falésia é algo gratificante. É algo surgido da interacção com o Meio real, algo surgido de um género de vida quase simbiótico, de enorme paixão e compreensão pela Natureza e pelas suas formas, de curiosidade pelas mesmas.

A procura de sensações é importantíssima na definição da natureza humana. Eu acho genial poder encontrar sensações diferentes e estimulantíssimas em lugares diversos, acho genial o processo de procura dessas mesmas sensações. Acho genial, por fim, que o meu cérebro provoque esse impulso de descoberta em mim e que eu não o negue.

Exploremos.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O Nome das Coisas

Grande parte daquilo que expressamos uns aos outros é através da linguagem, escrita ou falada. Muitas vezes acontecem difíceis mal-entendidos entre pessoas, amigos, fruto de um incorrecto uso das palavras; este artigo pretende chamar à atenção qualquer leitor para a importância de ter um vasto vocabulário e de o saber utilizar.
 Uma palavra é uma combinação de letras, entre muitas possíveis, usada para referir coisas específicas. Logo, diferentes combinações correspondem a diferentes coisas (não contando com as diferentes línguas; e apesar de existirem palavras sinónimas, que referem basicamente a mesma coisa); isto diz praticamente tudo. Já presenciei graves desentendimentos que foram posteriormente analisados como consequência de um incorrecto uso de palavras para descrever uma situação ou atitude.
A importância de desenvolver continuamente um vocabulário vasto e de compreender correctamente o seu uso reflecte-se na capacidade de um individuo ser significativamente mais preciso quando à ideia que defende. Quanto mais um Homem conhece, mais necessidade há de novas palavras que especifiquem cada conhecimento.

sábado, 1 de outubro de 2011

Samarra Hills' new logo


During last month we asked Afonso Arraiano, a newly graduated designer and a friend of us, if he could help us creating a new logotype for Samarra Hills. We came up with the concept and Afonso began to work ingeniously on this project. The basic idea was to create a new visual identity to this blog based on 3 concepts: The three colours of Samarra Hills, the Cartesian coordinates and polygonal forms. By inserting this X, Y and Z axis into a hexagon and adding the intended tones of colour to it, he designed the following shape, which utterly suited us =):








Designed by Afonso Arraiano

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Foto-Exposição - Baleal

No passado dia 2 de Setembro, eu e dois Amigos meus empreendemos uma viagem até às Berlengas. Foi imensamente interessante e dessa experiência concreta foi possível trazer-vos a Foto-Exposição anterior. Quando regressámos a Portugal continental decidimos explorar visualmente outras ilhas, desta vez as do Baleal. É um local encantador, de uma beleza não exuberante e colossal mas sim subtil.
Durante grande parte do tempo, a Ilha do Baleal permanece uma península, ligada ao continente por um tômbolo de areia (a Praia do Baleal). A Ilha das Pombas e o Ilhéu de Fora compõem também este conjunto de ilhas calcárias. Ao abrigo das correntes oceânicas que fustigam Peniche, devido a uma questão de ângulo da própria ilha, o Baleal alberga várias pequenas enseadas e reentrâncias, a Este, espaços esses de enorme beleza. A forma como a povoação se articula com a morfologia da ilha e com o mar confere àquele sítio um espírito doméstico e de conforto.
Aqui ficam algumas fotos deste local:

Sinal de trânsito genial!

Vista ocidental da ponta da Ilha do Baleal.

Vista para as Ilhas Berlengas, a Oeste.

Vista para a Ilha das Pombas.

Pormenor do bloco calcário da Ilha das Pombas.

Ermida de Santo Estevão.

Portinho na parte abrigada da ilha.

Pormenor da povoação.

Barcos estacionados no portinho.



Fotos tiradas por Paulo Cruz e Carlos Duarte Simões.

Foto-Exposiçao - Berlenga


Em cerca de 800 km. de costa existem, na plataforma continental portuguesa, duas ilhas dignas desse nome. Recém-chegado, duma Pars mais setentrional, mas onde se vive o espírito da Samarra, apresento-vos uma delas, que foi alvo de uma expedição da equipa do Samarra Hills.
Apenas duas ilhas é uma contabilização livre, que pode ser contestada. Em termos absolutos são algo mais, mas se excluirmos barras de areia, sobra-nos o Pessegueiro, ao largo de Porto Covo, na costa alentejana, e a Berlenga Grande, maior ilha do Arquipélago das Berlengas, situada a cerca de sérios 10 km a Oeste Noroeste do Cabo Carvoeiro e onde a plataforma continental europeia tem o seu ponto emerso mais ocidental.


Escarpas graníticas, de tom róseo, na vertente Sul da chamada Ilha Velha, a parte ocidental da Berlenga. A rocha granítica que constitui a Berlenga e as Estelas formou-se quando todas as massas continantais do planeta se soturaram para formar o súper-continente Pangea, há 280 milhões de anos. No período Jurássico, há cerca de 180 milhões de anos, o rápido processo de abertura do Atlântico, com o afastamento da Placa Americana, forma uma grande ilha no centro do oceano. Esta, ao afundar-se, deixa emerso o seu extremo mais oriental, as Berlengas actuais. As ilhas são, assim, o único testemunho duma história completamente diferente daquela da bacia sedimentar continental ao largo da que se encontra, proporcionando um ambiente e paisagens, evocativos de outras eras, que não existem em terra firme.


Uma pardela e uma gaivota em voo junto às falésias onde nidificam. Hoje, a Berlenga é um santuário da conservação de espécies faunísticas, que, no caso das aves marinhas, ali encontram o ultimo refúgio na Península Ibérica para nidificar.


Uma lagartixa-de-Bocage-das-Berlengas. Num espaço tão exíguo, essas espécies desenvolveram características diferenciadoras para ali resistirem.


Paisagem árida do interior da ilha.


O conjunto dos Farilhões, ao fundo, com o farolim no topo do Farilhão Grande. Em primeiro plano, o esporão do Ilhéu Maldito.


Enseada abrigada onde se instalou o cais do Carreiro do Mosteiro


As tonalidades que atingem as águas junto aos recifes.


O topo da torre do farol, erguendo-se acima da cumeada da escarpa. Foi edificado em 1839, no ponto mais elevado da ilha, a 92 m. acima do nível do mar, erguendo a luz da sua lanterna a 29 metros de altura, alcançando uma distancia visível de 27 milhas.


Fortaleza de S. João Baptista, acessível pela estreita passagem, é o aspecto de humanização mais espectacular da Berlenga, construido em 1651.


Um braço de mar serpenteando pelo desfliladeiro do Carreiro dos Cações, provocado por erosão duma falha geológica que divide a ilha nos seus dois sectores.
Esta foto-exposição pretende traduzir a grande marca da Berlenga, escondida a um primeiro olhar ou à primeira aproximação: a diversidade.
Gostaria de concluir esta foto-exposição com a informação adicional de que o Arquipélago das Berlengas detém o estatuto de protecção integral mais antigo que se conhece, por um documento datado de 1465, emitido por D. Afonso V, a proibir que se fosse caçar às águas do arquipélago. Hoje, além de estatutos específicos para cada particularidade, é Reserva Biogenética do Concelho da Europa.
“Quando a última das terras é uma ilha, tudo se torna mais vulnerável.” lemos num documento informativo fornecido aos visitantes. E esta é uma das duas únicas que temos.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Contra

Ao longo da minha vida, em muitas ocasiões, fui adjectivado como sendo "do contra". O que é isso de ser do contra? É errado ser do contra? E é certo ser a favor?

Ser do contra é algo que aparece de forma pejorativa quando se descreve alguém. Isto porque a expressão parece surgir do descontentamento daqueles que se inscrevem dentro de uma linha maioritária de pensamento e acção face àquele que questiona ou contraria essa mesma linha. Ora isso não faz com que ser do contra constitua algo irracional e errado. Se a linha seguida pela maioria for irracional, ser do contra é bom. Por sua vez ser do contra face a algo que é racional parece-me errado.

E o que está por de trás desse conceito de contra é não mais que, perdoem-me, carneirada social. Se o mainstream da coisa aceitar algo e se alguém optar por outra via, mesmo que essa seja a correcta, esse alguém passará a ser rotulado como alguém do contra, alguém que está quase necessariamente errado. Ser do contra torna-se numa adjectivação perigosa para aqueles que pensam por si próprios e que, por colocarem em causa certas "certezas" sociais, se tornam incómodos.

Na mente daqueles que optam por definir outras pessoas como sendo do contra, essas outras pessoas são apenas contrariadoras de uma realidade. Mas eu acho que ser-se do contra é principalmente ser-se a favor de algo. E esse algo muitas vezes nem é tomado em conta ou analisado de forma coerente por aqueles que são "a favor". É simplesmente algo que vai contra a sua cosmovidência tradicional e aceite, contra os seus dogmas e preconceitos, contra a sua noção existencial, e isso causa-lhes uma reacção de repulsa e motiva, muitas vezes, ataques pessoais irracionais.

A mim o que importa realmente é se sou a favor do racional e do correcto, do bom, e se sou do contra face ao irracional e ao incorrecto, ao mal.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Foto-Exposição - Samarra

No passado dia 24, eu e dois Amigos partimos em busca da gruta da Samarra Norte. Levámos material fotográfico connosco para criar uma foto-exposição desse espaço espeleológico porém não o encontrámos onde o procurámos. Aproveitámos então para de novo explorar visualmente, com máquinas fotográficas mais competentes, o sítio marítimo que dá nome a este blog sob a propícia luz de um dia de Verão.
Eis 10 fotos da Samarra em Agosto:


Areal da praia, salpicado de seixos e sargaços.


Pormenor de vegetação na vertente Norte.


Vista para Oeste de uma reentrância na vertente Norte.



Balcão Sedimentar na Falésia a Norte da Samarra.


Colina da Samarra vista de Norte.


Veleiro no horizonte.


O Atlântico visto de entre a vegetação na encosta Norte.


Vista geral da praia da Samarra.


Tapete verde sobre as rochas na maré baixa.


A colina da Samarra ao pôr do Sol.



Fotos tiradas por Paulo Cruz e Carlos Duarte Simões.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A Era Espacial - Antes do Salto


A Era Espacial é o momento na História Humana no qual a Humanidade inicia a exploração física do espaço exterior ao Planeta Terra e à sua atmosfera. Este capítulo da História, creio, constitui uma nova e revolucionária forma de existência para a nossa espécie: a partir daqui o Ser Humano passa a existir também fora do seu planeta original e pode, por fim, movimentar-se para outros corpos astronómicos e explorá-los.

A nossa consciência da importância de termos ido ao Espaço é, hoje, algo confusa. Alguns de nós compreendem o quão determinante foi o primeiro voo espacial no decorrer da História e das possibilidades inimagináveis que este criou. Porém a maioria dos humanos não nutre grande admiração pela aventura espacial nem vê nela aquilo que ela constitui para a espécie, talvez como a grande maioria de nós não compreendeu a enorme importância das navegações dos Descobrimentos Europeus nos séculos XV e XVI. Estas não marcaram uma ruptura com o passado nem criaram uma nova forma de cosmovidência assumida pelos povos Europeus: nas suas mentes, a Idade Média, mais ou menos, prosseguia pelo Tempo. Mas a descoberta de novas terras e gentes, novos mundos, e principalmente o primeiro passo, o fazer-se ao Oceano das primeiras embarcações, teve um papel fulcral na criação da noção de Idade Moderna. Para os "modernos", a Idade Moderna surgia no espírito do Renascimento Italiano em oposição à Idade Média (Idade que fica entre o fim da Idade Clássica e o retomar da civilização da Idade Moderna). Essa qualidade socio-cultural da Modernidade cria a consciência de uma nova Era porém, hoje, é algo facilmente aceite que, em termos planetários, a revolução que constituíram os Descobrimentos tem uma importância humana semelhante à revolução das mentes e das culturas modernas. A noção actual da importância destas viagens marítimas, que causaram em parte a globalização, é algo que acontece gradualmente e após o Tempo no qual elas decorrem.
Creio que hoje em dia a concepção de Era Espacial ainda esteja em competição com os conceitos de Idade da Informação ou Era Atómica para definir algo que é difícil de definir sem se compreender o futuro. Mas acredito que num futuro que, optimisticamente, será feito no Espaço e com aquilo que vem do Espaço, o primeiro objecto humano e o primeiro humano fora da atmosfera terrestre serão tomados como marcos importantes na definição de uma nova Idade, na Era Espacial.

Mas o que leva a que nós, humanos, empreendamos a arriscada e dispendiosa exploração física do Espaço? O que nos leva a passar a existir também fora da nossa atmosfera?
Durante grande parte da sua existência os humanos viram no Universo não terrestre, nos céus nocturnos, uma outra dimensão, algo inatingível e imutável, com, talvez, um carácter mágico. A Astronomia confundia-se com a Astrologia. Havia um aspecto supersticioso e religioso nos céus que eram encarados como isso mesmo: céus, o tecto do Mundo, um plano no qual aconteciam fenómenos previsíveis e divinizáveis.
A vontade de atingir o Espaço e os mundos nele existentes surge, creio, quando o Homem começa a compreender os céus de forma tridimensional. Ou seja, apenas desejamos sair da nossa atmosfera quando percebemos que o Espaço é um sítio, assim como os planetas e as estrelas que observamos de noite, e que, portanto, podemos estar nesses locais e podemos explorá-los. O Céu tem X, Y e Z coordenadas logo o Ser Humano idealiza, um dia, existir nele.
Essa consciência de profundidade e volume no Espaço é criada pela observação empírica e racional do Cosmos e propulsiona-nos para além de um novo horizonte que criamos na nossa imaginação, cheios de curiosidade. A ideia de caminharmos na Lua, diga-se, ou observarmos a Terra no seu todo de um ponto de vista distante captou essa mesma imaginação, gradualmente colectiva, da nossa espécie. Obras como o Somnium, o sonho, de Johannes Kepler, exploravam a ida de um Homem à Lua de forma hipotética. Porém faltava a tecnologia que nos levasse além do céu azul e para outros mundos, que tornasse toda essa fantasia científica de estar no Espaço numa realidade.
Será só no século XX, inspirados por uma enorme vontade de atingir Marte e a Lua e baseando o desenho dos seus engenhos nas teorias desenvolvidas anteriormente (principalmente a Terceira Lei de Newton), que vários cientistas e engenheiros conseguirão atingir a capacidade tecnológica necessária para pôr um objecto em órbita e, logo de seguida, Yuri Gagarin, o primeiro Ser Humano no Espaço.

A aventura humana além atmosfera terrestre teve um impacto enorme na nossa cultura, técnica e ciência, impacto algo subvalorizado por nós hoje em dia. Ir para o Espaço foi um salto épico na nossa História, algo que possibilitou colocar o Hubble em órbita ou um Homem na Lua. A quantidade de possibilidades abertas no momento da exploração espacial é enorme e traz grande esperança para o nosso futuro como espécie, grande esperança de prosperidade e manutenção da nossa existência ao longo do Tempo. E tudo isso começou com uma racional observação do Cosmos que gerou uma concepção desmistificada dos céus e que nos mostrou que era possível a divina tarefa de ascender para junto dos astros.
Antes do Salto tão aguardado e desejado, tivemos de observar bem o obstáculo à nossa frente e também o que existe além dele de forma correcta e acertada. A racionalidade levou-nos ao Espaço.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Constância

O Mar é constante
e isso conforta-me
mesmo gélido e bravo
mesmo escuro e terrível
azul e branco
eu amo-o,
como te amo a ti
branca e azul
terrível e escura
brava mas tão gélida
que me confortas
e que me és constante.