SAMARRA HILLS

Conceptualize

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Samarra 11'


Após uma pequena pausa para festas e recuperação face ao primeiro semestre (trimestre) de aulas na faculdade, a equipa do SH.blogspot.com volta agora a publicar sistematicamente, por fim, artigos de provável interesse.
Gostaríamos também de desejar um feliz ano 2011 a todos e que, neste primeiro ano da segunda década do terceiro milénio da nossa Era, haja de novo ânimo e força para trazer de novo luz à Humanidade neste momento de tanta irracionalidade e confusão.
O Samarra Hills completou um ano de existência no dia 16 de Novembro e lança-se agora no seu segundo ano com bastante fulgor. Acompanhem-nos no nosso futuro discorrer sobre a Res Humana e a Res Cosmica =)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Homem Livre


Quem és tu, Homem livre?
Que existes em glória
Que combateste em Maratona e na Normandia
Que perduras na memória
por cortar a cabeça à tirania...

Quem és tu, Homem livre?
Que sabes quem és
Que tens o caminho da liberdade a teus pés
Que amparas os teus amigos
e perdoas os teus inimigos

Quem és tu, Homem livre?
Que trazes coragem ao sujeito
Que trazes luz ao dissidente
Que não reconheces alguma condição humana
Se não a condição de viver livremente.

Contra ti, Homem livre
prisão alguma pode ser edificada,
opinião alguma pode ser censurada.
Nenhum Homem que seja livre na sua mente
pode ser amarrado realmente
Não há grilhetas que prendam
um Homem que se conheça.
Nem palavras que o calem
e façam que a sua liberdade se desvaneça.

Nem um punho, nem um bastão,
Nem uma arma, nem a morte
Podem coagir um Homem forte.
Um Homem que traga a liberdade no coração...

Onde estás tu, Homem livre?
(Dentro de cada um de nós)

domingo, 12 de dezembro de 2010

O Mundo à noite


O Mundo à noite
é frio e escuro
e nele todas as luzes convencionais se apagam
e segue-se o silêncio...

À noite, no Mundo,
No céu negro surgem luzes
pálidos testemunhos de que não estamos sozinhos
e apaga-se o medo...

Quando o Sol se põe, no Mundo,
a luminosidade desce,
e surgem contrastes e jogos de luz e sombra
e surge o fascínio...

Há algo difícil de explicar à noite,
quando os Homens se recolhem e a Natureza se liberta.
Ao atravessar alguma paisagem nocturna, a minha curiosidade desperta.
A cor branca da coruja só é visível à luz da Lua
e só na desconcertante penumbra os pirilampos exibem a sua luz crua.
Ali longe das luzes da cidade,
o céu atinge a sua veracidade.
Ali, longe da Humanidade,
procuro, à Luz das estrelas, a racionalidade.

Como os mil milhões de estrelas que aparecem no céu,
como aquela praia esparsamente iluminada pela Lua,
ou como aquelas ondas escuras que se quebram em brilhante espuma
naquela costa que já não reflecte luz alguma.
Como aqueles clarões que incendeiam o horizonte do mar,
clarões de uma tempestade que não afecta
a perfeição daquilo que me rodeia e não vejo,
daquilo que não vejo mas sinto, sentado no chão desta praia,
à noite, neste Mundo

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Simbiose


Quando, num dia de Inverno,
me perco junto ao mar...
Encontro-me
E quando, num dia de Inverno,
pelos campos verdes me deixo vaguear...
Percebo-me

Quando, numa tarde de chuva,
Num bosque busco abrigo...
Conforto-me
Quando, numa tarde cinzenta,
de tons cinza me preencho...
Alegro-me

A minha existência apenas está completa entre o Cosmos real,
Sou apenas feliz entre aquelas ondas e aquelas rochas,
Sorrio somente quando estou envolto em sargaços e espuma,
quando caminho cheio de areia e terra nos meus sapatos.

Não temo os elementos, temo não tê-los.
Temo não poder percorrer a beira mar, não poder correr sobre a relva molhada ou subir, em custo, alguma falésia.
Morro se me apartarem da violenta rebentação do mar
da glória rubra de um Sol poente
Sangraria até à morte se me prendessem onde não chegasse
a brisa fresca da Ericeira azul,
ou da Samarra prateada.

Quando, naquela noite fria
me deitei de costas para a Terra
Questionei-me
Quando, naquela noite gélida
as alvas estrelas avistei
Compreendi-me

Apenas existo quando existo em Simbiose...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Racionalidade como definidora do Certo e do Errado

O Certo e o Errado (ou Bem e Mal, como outros os denominam) são vistos como atributos que aparecem associados a uma ideia ou acção final, de modo pré-definido. Eu, por outro lado, defendo que estes são resultados de um encadeamento lógico de ideias (no caso do Certo) ou da falha na sequência lógica com que se estabelece um raciocínio (no caso do Errado).

Estabeleço a lógica/Razão como definidora do Certo do seguinte modo: imaginem uma acção, como roubar. Rapidamente a verão como algo errado, mas defendo que essa conotação deve ser atribuída por análise e identificação do erro logístico que levou a tal atitude, e não por pré-definição. Roubar nunca seria uma coisa boa, mas isso porque os motivos que tomam parte na decisão de praticar o roubo foram mal interpretados e as consequências não foram pensadas de todo, o que levou a uma atitude errada. Os mesmos motivos, bem interpretados e racionalizados, e a ponderação das consequências do acto levariam a uma solução correcta e justa. Sucintamente, roubar é errado porque minimiza o Outro (temática a abordar num próximo artigo).

Para um pensamento ser Correcto, o seu encadeamento deve ser completamente racional, não conter interpretações subjectivas dos factos que o formam; quando nesse processo se encontrar uma quebra de clarividência, uma intromissão de aspectos interpretados subjectivamente, dar-se-á uma ruptura com a Razão, e o produto culminará em Erro.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Humildade face ao Desconhecimento

"-Não conheço, não, desculpa...
-Não conheces?? Como é que não conheces, toda a gente conhece!!"

Não são poucas as vezes que oiço este diálogo, seja comigo ou seja com outros, e de todas as vezes pergunto-me o mesmo: de que serve este tipo de atitude para com aquele que desconhece? De que modo é construtiva ou sequer necessária uma resposta assim, feroz e humilhante?
Para além da procura que deve fazer o indivíduo, há algo igualmente relevante, talvez até mais, no que diz respeito à obtenção de conhecimento/cultura: a oportunidade. Imagine-se um rapaz que nasce e cresce num ambiente agrícola, ou pesqueiro, de baixos recursos e privado de algumas regalias ou excentricidades; imagine-se outro rapaz que vive no seio de uma família mais abastada, ou simplesmente com recursos a mais profundas fontes de conhecimento; imagine-se que os dois rapazes acabavam por se encontrar na mesma escola, e dialogam. Crêem que ambos terão a mesma cultura/conhecimento, ou tiveram sequer as mesmas possibilidades para a/o desenvolver? Muito provavelmente o rapaz com mais privações não saberá muito ou nada sobre música ou cinema, ou qualquer outra arte, não conhecerá os outros países, nunca deverá ter saído do país, da sua terra.... Sem ter sido culpa do pobre rapaz, que direito tem o rico rapaz culto de se espantar ou gozar ou difamar a ignorância, ou como prefiro chamar-lhe, o desconhecimento do outro? Este exemplo é exagerado, mas com o propósito de tornar mais evidente o que acontece entre muitas pessoas, de forma mais discreta ou sobre um assunto menos interessante.
Não é uma atitude correcta, enxargar o desconhecedor, não é de modo algum construtiva. Se alguém fala sobre algo que o outro não conhece, não há porque troçar, antes pelo contrário, humildemente deve ensiná-lo, dar-lhe Conhecimento. Para mais, o conhecimento que um possui deve provavelmente tê-lo obtivo através de alguém também; apesar de um saber "que filme ganhou tal óscar", decerto não saberá "cultivar ou pescar", como o outro indivíduo.

O indivíduo deve desenvolver a Humildade, esse sentimento puro e digno, ensinar o ignorante, construí-lo, DEVE TORNAR-SE A SUA "OPORTUNIDADE", em vez de o inferiorizar; o conhecimento é adquirido por experiência e interacção, e podemos ser cada um de nós a ferramenta do Outro para o conhecimento. Quanto mais conhecedores, melhores pensadores, e quanto melhores pensadores, melhor o Mundo e o Cosmos.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Epopeia sonora

Finnisterra Europea


Foto por Tiago Curado
Edição por Paulo da Cruz

segunda-feira, 1 de novembro de 2010